terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Solidão a um

Por essa estrada mundo afora
ir embora
talvez seja esse
o grito no útero
suprimido pelas peredes.

Preciso me encontrar
saber o que quero
saber o que querem
saber as verdades e mais
os verdadeiros.

Porque meu querido amigo
já não não sei mais quem são
Se me sinto só, sozinho fico
mas uma lágrima escorre no coração

Que espécie de laço
não se tem uma mão para o amarrar?
Que tipo de barquinha
não sente o gelo derreter?
Me diz, me diz
brincar de viver?

Não, se me sinto só, sozinha fico.
23:43

Borin.

Imagem: Retrato do Dr. Gachet, por Vincent van Gogh.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Chega de disfarçar, lutar, ludibriar
É precisar encarar
Que o futuro é estar só


No mundo de todo mundo
E nessa dança em que o mundo pede sinceridade
Nesse mundo em que os padrões
Anda difícil ser eu


Não me acho
recebo apenas respostas prontas
Não têm sentido
talvez seja mais fácil continuar a fingir


Não entendo nada
Sou criança sem fala
E na dúvida constante
me resta uma solução
pra evitar problemas, 
transtornos e desencontros
Perguntas
Pergunto quando, o que e como
se sim, se não
se pode, se devo

falsa educação
em que não se fala o que pensa
se espera que a resposta seja lida
através convenções e adivinhações

Em que tudo me parece exagero
Em que o que importa fica pra trás
Em que não sei o que dizer
Nem onde andar

Vestir o papel que me deram
E seguir sendo o que querem
E só no fundo ser eu.
/
Ferreira.

domingo, 4 de novembro de 2012

II



E nessas andanças da minha vida torta
Me encontro às vezes morta de vontade
Morta de ansiedade
De tanto querer viver tudo o que há
Até que me vem aquele beijo
Aquele sorriso que, com um abraço,
passa a decorar o meu rosto
Um silêncio tentador
De pele macia e mãos firmes
Derrete meu corpo de novo
De novo, de novo, de novo...
E mais uma vez meu corpo se vê
Viciado, fissurado
E a vontade cresce à medida que tento matá-la
Só resta dar nó no tempo
Dar rasteira nas horas
Pra poder te cheirar mais uma vez.

Ferreira.

I


Não é que seja medo
Muito menos lembranças do passado
Apenas escolho pra mim,
Sabendo dos prós e contras,
Não ser de ninguém no fim
Quero o meu eu só meu.
Não é que seja fuga
Muito menos luta
Contra meus ideais
Só estou tentando
Seguir os meus caminhos
Um pouco sozinho

De vez em quando
Ainda é preciso alguém pra me dar uma mão
Pra me acompanhar em algum trecho
E é aí que, às vezes, as coisas vão mal
Tudo o que se disse e não disse
Vem como uma história mal feita
E mais uma vez em meu peito transborda
as confusões de ser assim... diferente
...

Ferreira.

sábado, 3 de novembro de 2012

Eita jeito de menina
moldado em belle époque
apaziguado por teu cheiro
que me traz poesia aos punhos
aos pés de um canteiro
que me remexe todos os rumos
Ah o seu cheiro...

Seu cheiro sem um cheiro
seu tocar acalmador
e tudo corre num estalo
que me deixa um certo pavor
Ah o seu tocar...

Seu tocar sem me encostar
seu modo de me olhar
que me faz corar em resposta
de graciosidade se mostra
Ah o seu olhar...

Ah o seu cheiro, olhar, toque...
que me traz mais alegria
que me deixa com um largo sorriso.
[estampado no coração]

23:26
Borin.

domingo, 26 de agosto de 2012

Como eu posso me sentir tão perdida
venho me ocupando, me ludibriando
mas a noite é meu temor
por mais que a cabeça esteja cansada
no fim, ela sempre vai te buscar
como durmir em paz, sabendo que não me quer mais
talvez nunca quiz
e eu sempre tão boba
tão imbecil, achando que tudo é lindo
não vejo as coisas como são
a neblina me cegando
deixando só as partes boas
me diz, como lidar com o que dói?

Coração, o cara mais sacana que conheço
sempre me preparando essas armadilhas
se pudesse voltar no tempo
Ah como queria isso!
Não teria cedido
Não teria encontrado esse sentimento
Do que adianta ser tão lindo
se só serve pra derramar lágrimas nos meus olhos.
Sei que não tenho direito de sofrer
Nem sei o que sinto
só sei que dói pensar
que por mais que de tudo tenha feito
não te agrado
não se importa comigo, não me quer.
Dói.
E fico perdida nessa dor
tentando achar o ar.

Já chorei e sofri tantas vezes
mas antes, não era nada
Ando confusa, minha estrutura anda torta
e o mais difícil
levantar todos os dias da cama
e mostrar pro mundo que to bem.
quando na verdade
nem queria levantar.

Merda, merda, merda!
Que grande merda!
e cada vez mais você me mostra
o quão não se importa
e cada vez mais eu me humilho
corro atrás, só pra ter um pequeno instante
de você aos meus braços
será que vale a pena?
essa resposta você me mostra a cada dia
com seus atos, a questão é:
só pareço ser forte, mas fraca sou
não consigo pular fora do barco
não consigo...
por mais humilhante que seja
por mais degradante
se eu puder escolher
sempre escolherei ve-lô aconchegado em meus braços
mesmo que não tenha ninguém pra me aconchegar.

Borin.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eu corro

Andava fugindo
Para minha segurança
(falsa segurança)
Corri quantas vezes meus pés aguentaram
Mesmo descalços
Mesmo cansados
Mesmo doídos
Fizeram de tudo pra me defender
Mas o vento que faz,
quando se está correndo,
Leva tudo embora
Flores, cartas e bombons
Vinhos, piadas e lençóis
Deixa apenas um vazio
Fresquinho, sem graça
Sem cor
E nessa vida cinza,
Concreta
Me aparece a ponta amarela de um arco-íris
Bem ao longe (longe mesmo)
Tentei correr
Mas é tão vivo
Tão sutil...
Algo abstrato assim
Fica difícil de explicar
Mas é tão fácil sentir
As cores entrando de novo
Nesse vazio do vento.

E eu, tola, púbere
Volto a ser eu
Suspiro aos cantos do mundo
Por sonhar de novo
Com os regalos de outrora
Flores, cartas e bombons
Vinhos, piadas e lençóis
Por querer de novo
Um príncipe encantado
Eu acho que ele mora longe
na ponta amarela daquele arco-íris
Longe mesmo
Mas vou correr
Por ser tão vivo
Tão sutil
Eu vou até lá
Ver como é
(Não custa tentar).

Ferreira.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tenho andado vivendo assustado
com borboletas incessantemente voando em meu estômago
E minha mente, pobre mente
pensando mil coisas em um estalo.

Tenho andado tão feliz
quando estas aqui ao meu lado
De lhe falar e lhe ouvir
De seus abraços sentir
tudo com esmero bocado.

Queria tanto gritar
aos quatro, cinco ou seis
à todos os cantos do mundo
todos de uma só vez
Mentirinha... bem lá no fundo
só preciso dizer a você
mas o medo me consome
Tenho medo de lhe falar
e assim afastar seu querer
talvez, quem sabe, te assustar
por isso prefiro emudecer.

Mas sendo sincera
meu, desde sempre, amigo
desde o primeiro momento
saber, eu não sabia
Mas desde o primeiro olhar
meu corpo sentiu
que de mim fugia
E que todo aquele sonhar vinha tentar me alertar
que sendo o oposto do que queria
Foi e é exatamente o que quero.

23:10 

Borin.

domingo, 1 de julho de 2012

Os vinte e poucos anos
Significam o que?
Sentir, sentir, sentir
Eis o elo do meu viver
O que se prende em doar
Amor, amar, amar

Não espero contos
Nem faz de contas
Muito menos a perfeição
Eu erro, tu erras
Num moinho de emoções
Movido pelo vento
Tudo, tudo num passo de momento

Numa cólica intestinal
Benditas borboletas do mal
Voam e voam se achando o tal
E ainda dizem amor
Que nada! Balela!
São só borboletas
Voando em meu estômago
Sai de mim, coisa!
Vai procurar liberdade...
Vai procurar seu "borboleto"
E sai de mim!
Quero vibrar minha mocidade
Balela de novo!
Eis que surge o tal moço
Relembrando elas
[Malditas borboletas]
Que não me largam jamais.

04:42
Borin.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

De que me adianta tanto riso, tanta alegria
Se como todo palhaço, me pinto, me disfarço
Me refaço toda manhã
Pois à noite me despedaço em dúvidas


Duvido se possível ter você
Duvido ser impossível amar você
Duvido ser você
Duvido não ser


Não se deve mexer naquilo que está bom
Já dizia meu pai
Não deve se arrepender de não tentar
Já dizia o mundo


Será tudo isso medo?
Será apenas segurança?
Será que há diferença?


Enquanto não sei
Aproveito as noites
Em que me centro
Sou cada vez mais eu


Porquanto não sei
Engano a mim com açoites
Enquanto aqui dentro
Sou cada vez mais eu


Ferreira.

domingo, 24 de junho de 2012

Linha tênue

Quando minha segurança se torna medo
Minha certeza, bloqueio
Cada passo que você dá
É uma batida torta aqui dentro

Até quando esperar
Pra que se torne inevitável
E se quando esperar
Tornar o amor inalcançável

Quando amar se torna amor
Minhas dúvidas, dor
Cada traço que você dá
Num sorriso torto, me ajeito

Até quando pensar
No que pode ser melhor
E se quando pensar 
Nos traz o pior

Quando cegar é o não querer ver
Procurar, querer responder
Cada letra que você dá
Me faz crescer

Até quando negar
Aquilo que dizem meus sonhos
E se quando negar
Tornar tudo mais fácil

Quando mudar é melhorar
Concordar, ceder
Cada olhar que você dá
Me faz decente

Se nada que é bom vem fácil,
"Quanto tempo você esperaria o amor da sua vida?"
O tempo necessário para encontrá-lo
 
Ferreira.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

- Como pode ser?
   Amar o amor e temer o amar?
- Na verdade, não temo o amar.
  Temo termos, etiquetas.
  Prefiro o desejo natural de ser só um
  A acordos, contratos, subentendidos.
- Como pode saber o outro que é hora de ser um?
  Não há hora marcada, definida.
  É a hora sentida.
  Se sinto ser seu, por que não sê-lo?
  Por que não dizê-lo?
  Assim, não serão necessárias adivinhações.
- Como pode parecer tão fácil?
  Não seria arriscado?
- O que é o coração se não uma mesa de jogos?
  Um mar de possibilidades,
  O reino das probabilidades.
  E a mais frequente é a de estar certo ou não.

Em terra de dualidade, as coisas ficam embaralhadas.

Ferreira.

Eu

Posso já ter levado sorrisos, assuntos
Mas nunca foi minha meta
Minha seta aponta para o alvo mais belo
(Nem sempre o que é belo pra mim é pro mundo)

Mas é o que consta nos astros, nos signos
Ser marginal
Ser confusão total
Possuir amor incondicional
Por tudo o que há de bom
(Nem sempre o que é bom pra mim é pro mundo)

Por vezes, tentei me achar em outro lugar
Mas ei, só me acho em mim
Que é onde tenho lugar cativo
Mesmo que a cama esteja empoeirada, às vezes
O teto tenha goteira, às vezes
É lá que tenho meu travesseiro preferido
Meu lençol mais quentinho
E é onde tenho meu sofá mais aconchegante
Com minha panela de brigadeiro
Meu cházinho de cadeira
e um controle na mão
Com o qual vou passando os programas chatos
Os nada interessantes
Os sem conteúdo
Os sem beleza

E vou continuar zapeando
À procura daquele me entretenha
À procura daquele que me mantenha
Sempre do meu jeitinho
Que só melhore os caminhos
Com flores e bichinhos

Pois meu labirinto está pronto
Só gosto de companhia
Pra tomar meu passeio matinal

E continuo,
À procura da batida perfeita
Pra ritmar com a do meu coração.

Ferreira

domingo, 10 de junho de 2012

De vezes em vezes
De perna pro alto
Pulando e sorrindo
Sempre curtindo
Em menos de meses

Vestida pra sonhar
Fui em busca de outros braços
E com um salto no calcanhar

Pude enfim te olhar
E ver que o amor é para os fracos

Sempre curtindo
Vi em você um sorriso xD
Cantando, bebendo, brincando
Sempre a espera de você

Sua paz me deixava em paz
Seu sorriso me fazia sorrir
E seu toque me fazia tremer
Não! Deve ser confusão!
Sou só uma garota legal
Ixi... me pregastes uma peça
Nada nada cultural
Também confundi
Que balela de confusão, por mim é real

Troquei a ordem do normal
Brinquei com os versos
Caminhei pela prosa
Sim, meu bem
Não sou bonequinha de luxo
E você nem tão pouco meu príncipe
Nossa soma se repele
A + A não vira L

Deixo de lado histórias
Nada de João e Maria
Meu nome não é Maria
Abdico dos nomes
Sou Fulana, sua amiga
E isso vale ouro
E isso importa
Deixemos de lado as somas
Existe matemática no amor?

Se 1 dividido por 0 vai pro infinito
Não preciso me dividir em nada
Por nada ser infinito
E as somas se somam em nada
Pois no fim, nada de príncipe encantado
eles não são reais
e você é mais que real
e eu, uma rélis mortal
que diz com orgulho
independente do futuro
que estou apaixonada por alguém
e esse alguém é você
Meu amigo amado
Meu amado, amigo.

[E tudo que eu menos quis na vida é tudo o que mais quero, por agora.]

00:15
Borin.
Quando te vi
vimos o comum
vimos o incomum
Quando você viu
eu não acreditei
Acreditei em mim
E depois, acreditei em nós
Pra quê ou Por quê?
Era melhor não ceder
Dizem borboletas no estômago
tudo pro caralho
se o que sinto é apenas formigação
Um quase pro não
Um desistindo no vão
Antes de atravessar a porta
Medo de você, dos seus
Medo de empalidecer, dos teus
Medo... de te perder
E te julgar pelos meus
Um medo tão grande
Que só penso em mim
só penso no meu
no desastre ao extremo.

Vou ceder...
Acho que não quero mais você.

01:35
Borin.
Pouco me importa a capa
Se o que procuramos fica sempre escondido
Lá no fundinho
Aquele fundo invisível
Onde mora sua paz
Onde mora tua glória de viver
onde cabe todo o teu ser
onde um dia caberá o meu querer
Mas por hora, whatever
Vamos tomar mais uma dose?

01:50
Borin.
Quantas vezes será necessário
o mesmo erro de novo
para que eu venha entender
como dançar com você

Balançar a cintura?
Mexer o quadril?
Dois passos pra lá...
Num movimento viril?

Mas dei os passos errados
sacudi a cabeça
Fui mais além
Sentia a música em mim
Fui apenas Eu
Porém o Eu assusta
E você se assustou
ou se cansou...
Fadigado da dança
E me deixou sem par
dançando sozinha

Mas a dança é ágil
Algo versátil
E logo chegará um novo par
Para assim, cometer o mesmo erro de novo

Eita iterância sem fim
Que me sucumbe paulatinamente.

15:40
Borin.
Fui te julgar como um qualquer
Igual a tantos outros
que só procuravam diversão
E assim te assustei
Te afastei de mim

Não percebi o brilho nos teus olhos
que mostra a beleza que existe em ti
Não percebi a imensidão de um coração
Que de tão grande, me fez refletir
que dessa vez a estúpida fui eu
Em tantas vezes sofri
E agora faço com outro o que em mim doeu
Fui canalha, insensível
sempre correndo no tempo
apresando o que é mais gostoso lento
usando o velho truque infalível

E agora, me martirizo ao pensar
Que afastei aquele alguém
Que poderia estar por estar
Sem a espera de um vintém
Apenas ao meu lado por assim gostar.

02:30
Borin.
Nas  lojas da rua
não adianta me procurar
Nas entranhas tua
Aí mesmo é que não vou estar

Bonecas moldadas
em prateleiras enfileiradas
A beleza em perfeição
virando tudo ilusão
Mentira cega mentira
Atrás, o vazio da vida
A vida, sua doce cantiga
De no fim, se tornar em vão.

Borin.

sábado, 9 de junho de 2012

I just wanna be your friend
I don't wanna be your lover
And that's what I really mean
When I try to call you
Why is this so hard to do?
I want nothing from you
Just what we promisse
Let's just be friends
Let's laugh
Let's fight
Let's dance
That's all I miss
That's what I care
That's all I still love from us

What do you think?

Ferreira.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cada vez que te vejo
te sinto, te ouço, te olho
Uma coisa me vem a cabeça
Qual será a verdade?
Será tudo isso besteira?
Será confusão faceira?
Será medo, queira ou não queira?

(Imaginando...)
Uma hora grito ao mundo
O que eu sinto lá no fundo
Que você é meu príncipe torto e a pé
E logo, tudo se apaga
Outra hora grito lá no fundo
O que eu sinto é do mundo
Que você me faz príncipe torto, mesmo a pé
E logo, tudo se estraga

Nada disso me dói
Só mesmo a indecisão
Nada disso me corrói
Só mesmo a saudade que traz
Só mesmo seus outros ais

Ferreira.

sábado, 19 de maio de 2012


E a cama me chama.
Que seja sem monstros embaixo da cama.
Que seja sem monstros em cima dela.
Porque sou covarde, por ter medo da covardia.
E quando acordar, vou ter eliminado todo esse medo.
Como uma amazona, em meus sonhos,
Mato esses monstros vestidos de medo
Com minha espada tão prateada
Quanto a lágrima de minha rainha
E enfim vou vê-la derramar mais uma gota
De felicidade de ver sua filha
Novamente corajosa
Novamente livre
Como toda amazona deve ser
Em seu próprio cavalo alado
Fazendo o que me faz mais feliz
Viajando
Visitando vilarejos vizinhos
Conhecendo corações
Que modificam, refazem o meu
E quem sabe no caminho,
Encontrar outro que se encaixe ao meu.

Ferreira

domingo, 13 de maio de 2012

Amanhã
Mais um dia daqueles
Sem um minuto de paz
O cansaço fecha meus olhos
Amarga o coração
Apaga o sorriso
Até lembrar que a vida não é isso
Cada sorriso vale a pena
Porque pode fazer diferença
Não importa a quem

Ao cair da tarde
O motivo de tudo continuar a girar
De eu conseguir levantar pela manhã
De eu querer continuar
Mesmo que arrastada
De o meu cérebro não parar de vez

E quando tudo acaba
Mais uma noite de luta
Contra o sono
Contra a agonia
Contra o tempo.

Ferreira.



sábado, 12 de maio de 2012

Minha alma está sedenta
Desacostumou-se com a calmaria
Tem insônia quando não há sequer uma brisa
As ventanias eram seu terreno
Sem elas perdeu seu equilíbrio
O ar é pesado
A água é turva

Pois eu sei,
É um doce amar
O amargo é não ter a quem

Ferreira.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Meu amigo leprechaun


As pessoas tem boca pra falar
Eu pra te agradecer e sorrir
Por me confortar
Por me fazer importar
Por já querer amar
Essa paz caótica que me acalma

As pessoas tem olhos pra cegar
E eu pra enxergar em você
Mais um porto, um cais, um porquê
Por mostrar beleza em tudo
Por me lembrar como é o mundo
Mas sem me apaixonar
Sem essa coisa carnal e pequena
Por o que sinto é mais que isso
É além disso
É pelo que realmente vale a pena
Viver, brigar, correr e gargalhar
(Sem medo)

E com um abraço magrelo
Termino o dia
Em nuvens

Ferreira.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Perdida me encontro

Cansei de mostrar a forte
querendo ser o que está longe de mim
chega de tentar mentir
de ser a não-romântica
de dizer que não acredita
mostro minha face (onde correm lágrimas)
sou menina moça
acredito em poesia
sonho com as flores
e quando falo com um sorriso nos lábios "bom dia"
é porque quero que continue do meu lado
me abrace apertado
e fique por aqui
tome um café
parta em sua missão
não me abandone
não me deixe sozinha
complete sua canção
mas sempre volte pro meu coração
que já se cansa
de tantas e tantas vezes
se dividir
e depois juntar os pedaços espalhados
tentando se recompor
mas esse é o fascínio da minha beleza
depois de juntar os pedaços
voltar com o coração inteiro
pronto pra mais um espaço a doar
mesmo todo remendado
com tantos sonhos
esse nunca vai deixar de amar.
01:20

Borin.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pre mortem


De te amar, não largo
De te querer, não paro
Não por falta de esforço
Tento resgatar o orgulho meu
(frio e amargo)
Mas só me restou a vontade
De sermos um
De arriscar meu corpo
De arriscar meu peito
De me entregar
Inteira e completa
E se me tens como página virada
Cuspida e rasgada
Me diga
Esse é meu último pedido

Ferreira.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Desculpe minha dormência
Minha demência
De não ver quem é você
Outros me cegaram
Foi o que me ensinaram:
Não se pode esperar
do outro o que vem de mim.
Por isso, sempre espero
Que o outro me diga
O que sente enfim

Sentimentos não nascem iguais
Em terras diferentes.
Umas são mais férteis que outras.

Desculpe minha dormência
Minha ausência
De não ver que é você
Meus medos, desesperos
Neuroses, paranóias
Eles me cegaram,
Doença herdada e adquirida,
Escarnecendo feridas.

Mas nada é imutável
Sou ser adaptável
Vou montar meu cavalo alado
E lutar, até o fim.

Ferreira.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Recado aos amantes

Quero lhes confessar:
O interesse por sua alma
Continua, continua...
Numa insônia sem fim
Não me interessa seu corpo
Não (mais) me interessa sua boca
Mas seus olhos, continuam a me chamar
Como um túnel enfeitado com flores brancas
A me prometer um jardim colorido
Suas histórias no meu ouvido
Me enchem de uma felicidade
Movida pela curiosidade
Que não se sabe ter fim.

Espero que você,
Menina dos rubros lábios,
Perceba esses olhos
Discretamente chamativos
E dê o amor do mesmo tamanho
do sorriso dessa alma
Inexplicavelmente linda
Insassiavelmente, ainda,
Desejo que seja aquela
Aquela que faltava
Para tornar completa
A alma que tanto admiro.

(construindo...)

Ferreira.
[Na Toca]

segunda-feira, 12 de março de 2012

As coisas passam a clarear
Será que eu navego em outro mar?
Na minha viagem,
as companhias são diferentes
as pessoas importantes
tomam outras posições
E essas pessoas,
faço questão que conheça
Pois, o voto delas tem peso
Elas quem vão me ajudar a decidir
Se você merece o timão.

Será que nesse seu barco
as águas são tão diferentes?
são tormentas ou calmaria?
O silêncio arrepia
e o cansaço enjoa

Não me entenda mal
precisamos de paz
precisamos de verdade
precisamos da verdade
precisamos de reciprocidade
mas, nada além de sentir...
nada além de ter você
em palavras ou corpo
nada além de me entregar
em palavras e amor
Mas não se esconda de mim
Não me esconda assim
Porque, se eu for,
Não saberei pra onde
Não saberei o caminho de volta

Ferreira.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Lar doce lar...


É uma pena.
Um erro, sem dúvidas
Culpa sem dono claro
Depois de tanto relutar
Depois de tanto temer
O que no fundo sabia,
Nas vésperas do primeiro aniversário,
se confirmou.
Não há mais lugar pra mim
Não para o verdadeiro eu
Só há lugar pr'aquela criança
Perdida, sem vontade
Sem voz, sem(no) chão
Agora, sou mulher
Com vontades e opiniões
Com desejos e hábitos
Necessidades e razões
Já não há lugar
Pro fogo que arde em peito
Pra sede de vida que há em meu corpo
Pra ansia de saber que há em minha mente
Pras palavras que saltam da minha boca
Pra língua dormente de pensamentos

Pra mim, já não há lugar
No lugar de onde vim.

Ferreira
22h17

domingo, 12 de fevereiro de 2012

VIDA!

Viver!
A relatividade presente em cada segundo
É a lei que rege o mundo
É o presidente do sentimento profundo
Ser feliz
Não depende (nem sempre) daquilo que o outro diz
Mas de como eu ouço
De como eu recebo
De como...

Minha energia
Sua energia
Misturando no ar com o mundo
Trazendo sensações infindas
Que vem na conversa
Que vem no olhar
Nas experiências
No tocar

Tudo isso pode ser amor
Tudo isso pode ser arte
Sendo difícil ou fácil
A felicidade vem no final
Basta ser natural

Em esboços eternos
Esse é meu único projeto sem fim
A vida!

Ferreira.
(Na Toca, 11/2 às 19h10)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O que hei de fazer?
Se tudo me assola
O pesar da presença
o perigo degola.

Vibrações não são bem-vindas
nem multidões, nem emoções
Deixo de partir na partida
Deixo de ler toda cartilha
que rege a regra da simpatia.

Pois não quero tua vida
não quero teu querer
não quero ver-te correr
Só, ando melhor
Só, sorrio melhor
Só, festejo melhor
a roda da vida que me deixa só
Só... feliz... só.
23:24

Borin.
Tendo andado tão perdida
trocando a eira pela beira
a beira pelo quem queira
vivendo a doce vadia.

Vadia em se benzer
pelo agrado do entardecer
pelo rubor da rebeldia
em não aceitar a vida fria.

Fria do encanto
rígida de um pranto.
Fria nem tanto
Pois ali existe um canto.

E quando a música se acaba
o canto se finda
a vida se esbarra
e o nada se brinda.
23:37

Borin.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Caros amigos evangélicos,
Gostaria de fazer um apelo. Eu, que não possuo religião, vejo que existem pessoas de caráter duvidoso nas Igrejas, assim como qualquer religião. Só que esse grupo seleto de pessoas chamam mais atenção do que vocês, pessoas do bem. Essas falsas ovelhas estão no nosso cotidiano alugando nossos ouvidos com mentiras e fantasias que só me fazem criar um asco pela espécie.
Esses caras que falam que não posso sair pra dançar, que não posso beber minha cerveja de vez em quando, que não posso falar palavrões, que não posso ir a um bar com meus amigos (mesmo que não vá beber), que não posso sair com meninos ou meninas, que não posso ter relação antes do casamento... Esses são os mesmos que causam discórdia, que mentem, que tiram vantagem, que se aproveitam do que não lhes pertence, que discriminam deficientes e idosos, que mal tratam pessoas todos os dias. Esses frenquentadores e, por vezes, criadores de antros chamados de casa de Deus estão difamando a religião de vocês.
Salvem a instituição de vocês! Se a primeira impressão é a que fica, se depender desses caras, nunca serei evangélica.

Ferreira.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Há de um dia padecer
Pois nenhum sorriso é irrefutável
De lágrimas presas no armário
De alegrias sempre a emudecer

E eis que surge o sorriso de lado
Que teima em dizer: -Foi tudo sonhado.
Eis que surge a moça vazia
Esperando na sala sua doce companhia

A moça agora dar-se por ser
Vive a vida de uma imperatriz
A moça agora caminha ao anoitecer
Pois não passe de ser
Uma particular meretriz.
23:34

Borin.
Sentada no vazio
Do meu peito vadio
Sentindo um aperto
E odiando meus defeitos.

Me basta o lhe querer
Olhar-te de longe
Suas feições num alvorecer
Seu jeito de me falar
Seu jeito de me olhar
Seu jeito...
Seu sorriso de lado
E seu abraço apertado.

Me dói pensar
que meu amigo me trai
meu amigo bandido
que vejo ao olhar num espelho
E esse tal amigo
Me mata aos poucos
Tirando você de mim.

Borin.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Amor sem firulas

Não quero flores em buquês
Quero elas vivas
Criadas pela graça
Quero os enfeites naturais
Não preciso de cartas com corações nos cantos, nos is
Não quero declarações ensaiadas, decoradas
Quero o amor na taça de vinho
No chão da sala
Quero palavras
Conversas
Quero a beleza da verdade
(Sendo fácil ou não)
Quero o amor escrito nas possibilidades
Nos olhares simples
Nos sorrisos tímidos
Nas coincidências
Nos desejos não escondidos
Nos olhares tímidos
Nos sorrisos simples.

Ferreira