Andava fugindo
Para minha segurança
(falsa segurança)
Corri quantas vezes meus pés aguentaram
Mesmo descalços
Mesmo cansados
Mesmo doídos
Fizeram de tudo pra me defender
Mas o vento que faz,
quando se está correndo,
Leva tudo embora
Flores, cartas e bombons
Vinhos, piadas e lençóis
Deixa apenas um vazio
Fresquinho, sem graça
Sem cor
E nessa vida cinza,
Concreta
Me aparece a ponta amarela de um arco-íris
Bem ao longe (longe mesmo)
Tentei correr
Mas é tão vivo
Tão sutil...
Algo abstrato assim
Fica difícil de explicar
Mas é tão fácil sentir
As cores entrando de novo
Nesse vazio do vento.
E eu, tola, púbere
Volto a ser eu
Suspiro aos cantos do mundo
Por sonhar de novo
Com os regalos de outrora
Flores, cartas e bombons
Vinhos, piadas e lençóis
Por querer de novo
Um príncipe encantado
Eu acho que ele mora longe
na ponta amarela daquele arco-íris
Longe mesmo
Mas vou correr
Por ser tão vivo
Tão sutil
Eu vou até lá
Ver como é
(Não custa tentar).
Ferreira.
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