Desculpe minha dormência
Minha demência
De não ver quem é você
Outros me cegaram
Foi o que me ensinaram:
Não se pode esperar
do outro o que vem de mim.
Por isso, sempre espero
Que o outro me diga
O que sente enfim
Sentimentos não nascem iguais
Em terras diferentes.
Umas são mais férteis que outras.
Desculpe minha dormência
Minha ausência
De não ver que é você
Meus medos, desesperos
Neuroses, paranóias
Eles me cegaram,
Doença herdada e adquirida,
Escarnecendo feridas.
Mas nada é imutável
Sou ser adaptável
Vou montar meu cavalo alado
E lutar, até o fim.
Ferreira.
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