- Como pode ser?
Amar o amor e temer o amar?
- Na verdade, não temo o amar.
Temo termos, etiquetas.
Prefiro o desejo natural de ser só um
A acordos, contratos, subentendidos.
- Como pode saber o outro que é hora de ser um?
Não há hora marcada, definida.
É a hora sentida.
Se sinto ser seu, por que não sê-lo?
Por que não dizê-lo?
Assim, não serão necessárias adivinhações.
- Como pode parecer tão fácil?
Não seria arriscado?
- O que é o coração se não uma mesa de jogos?
Um mar de possibilidades,
O reino das probabilidades.
E a mais frequente é a de estar certo ou não.
Em terra de dualidade, as coisas ficam embaralhadas.
Ferreira.
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