quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Chutando o balde

Do nada o mundo para. O falatório cheio de razão chega aos ouvidos como um apito fino, daqueles apitos para chamar cachorros. E todas as atitudes que antes eram certas se tornam tolices impostas por outrém. Não era isso o que eu queria fazer. Não era nada disso o que eu queria ser. Mas a ideia de ser o certinho, "bom moço", era mais forte que o instinto de ser eu mesmo. Essas tolices já não tem o mesmo gosto. Já não fazem mais sentindo. É hora de viver os últimos segundos como devem ser. Herói e vilão? Não tem mais definição. É hora de sentir o sabor do que se quer; com um tempero do proibido fica mais gostoso. O que hoje é lei, amanhã pode mudar. Então é tempo de ignorar e seguir o instinto de ser o que se quer ser. De chutar o valentão da loja. De baixar a bola do bambambam da esquina. Vou atear fogo em carros e lutar pelo o que acho certo. O relógio está tiquetaqueando. E nada disso está ao meu favor.

Ferreira.

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